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Haverá esperança?

Vai para oito meses, escrevi neste espaço que não devíamos alimentar esperanças vãs no que respeita à abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil. Era tempo, sustentei, de preparar estratégias de mais longo prazo, à espera de melhores dias no que à economia e à capacidade de investimento dizia respeito. Todavia, nestes meses (e especialmente na última semana) alguns indícios fazem pensar. Em primeiro lugar, voltou à praça pública a solução ‘Portela+1’, há muito sustentada pelos defensores do aeroporto de Lisboa. Consiste esta solução, basicamente, na manutenção operacional do actual aeroporto e no aproveitamento de outra infra-estrutura aeroportuária como complemento daquele. Quando se voltou a falar deste assunto, logo saltaram para a Comunicação Social as hipóteses Alverca, Montijo e Sintra (por ordem alfabética para não melindrar ninguém…). Mais recentemente, terá ficado apenas Sintra ‘na corrida’. Até que… Até que através do presidente do Turismo do Centro, que invoco...

Ser solidário

Há cerca de um ano tive oportunidade de assistir, ao vivo, a um jogo do Barça no seu estádio. À entrada, ainda meio atordoado com a enorme massa humana que por ali deambulava, meteram-me um saco e um folheto na mão. Hummmm… em catalão a coisa ficava meio difícil, mas afinal foi fácil. O FC Barcelona, em colaboração com algumas empresas de distribuição alimentar, desafiava os seus sócios e simpatizantes a colaborar com o Banco Alimentar local para minimizar as dificuldades de muitos dos seus conterrâneos: nos próximos jogos no estádio e no pavilhão, bastava devolver o saco que tinha nas mãos com produtos alimentares lá dentro (podia, também, fazer a doação pela internet). Vem isto a propósito de duas iniciativas semelhantes que aconteceram recentemente em Portugal e que confirmam os Portugueses como um povo solidário. Aconteceu em Braga e em Coimbra, por iniciativa dos clubes locais e, em resultado, foram entregues a instituições de solidariedade cerca de dez toneladas de alimentos (...

Uma grande perda

Quando conheci o eng. Ribeiro Vieira? Salvo erro na Assembleia Municipal de Leiria. Ou na (re)fundação do 'Jornal de Leiria', quando me convidou para colunista. Pouco importa o pormenor. Antes disso já ele tinha sido vereador da Câmara Municipal. E 'militar de Abril'. E já era empresário. Fizemos a par muitos anos de caminho. Nos jornais (cada um no seu), na ADLEI, nos Congressos de Leiria e Alta Estremadura, em campanhas eleitorais... Trabalhei mais directamente com ele, por dois períodos, na Jorlis. No 'Jornal de Leiria', no 'Correio de Pombal' e no 'Região de Cister'. Foi um homem importante para a região e um homem interessante no contacto pessoal. Um homem que ajudou muita gente, que se empenhou em muitas causas, que ouvia muita gente. Nem sempre fácil, mas justo. Gostava do risco (dizia muitas vezes que não sabia trabalhar sem concorrência). Gostava da sua terra. Por isso esteve em tanto 'sítio', por isso sonhou os jornais,...

Concentradíssimos

Há muito, muito tempo, era a abertura da Base Aérea de Monte Real ao tráfego civil. Não foi… porque não. Há muito tempo, era o novo aeroporto de Lisboa na Ota. Não foi porque a localização era má (e não temos dinheiro nem para ali nem para outro sítio). Há algum tempo, era o TGV com estação em Leiria (e o ‘Arco do Oeste’, lembram-se?). Também não foi porque não temos dinheiro. Há mais tempo ainda (muito mais tempo!) era a Linha do Oeste com comboios. Também não é porque não temos horários (nem comboios…). Tudo isto nos foi sucessivamente prometido, garantido, projectado, anunciado, reprometido, regarantido, reprojectado, reanunciado, a um ritmo mais ou menos quadrienal. A par (e antes, e depois e em vez de…) de tudo isto, que em conjunto ou separadamente muito contribuiria para o desenvolvimento e a projecção da região, fomos paulatinamente perdendo os (poucos) centros de (alguma) decisão que mantínhamos. Enquanto o discurso oficial elogiava e propagandeava a desconcentração, a d...

Direitos e garantias

Em Maio do ano passado foi notícia a aprovação de um sistema de videovigilância para o centro da cidade de Leiria. Nessa ocasião, expressei aqui a minha discordância, em nome de superiores (acredito eu) direitos individuais e da convicção (que mantenho) de que não está esgotada a capacidade de actuação da PSP. Agora, e a propósito do ruído e do horário de funcionamento dos bares, leio no ‘Região de Leiria’ uma “proposta” de constituição de grupos de ‘voluntários’ destinados a (e cito) “monitorizar a ordem pública no centro histórico de Leiria”. Não discuto a ‘bondade’ da ideia, tal como não questiono as intenções que determinaram a aprovação da videovigilância. Mas são ambas iniciativas perigosas, daquelas que sabemos como começam mas não sabemos como acabam. Por outro lado, ambas constituem a admissão, por parte da sociedade, da incapacidade das forças de segurança para assegurarem uma das funções primordiais do Estado: garantir a segurança e os direitos das pessoas. Conclusão peri...

Sobre o respeito (ou a falta dele)

A Câmara de Leiria quer alterar o horário de funcionamento dos bares do Centro Histórico: os estabelecimentos encerrarão à meia-noite, excepto ao fim-de-semana e vésperas de feriados. Custa-me acreditar numa coisa destas. Custa-me verificar ao que chegou a falta de civismo e de respeito. Custa-me crer que as autoridades se demitam tão facilmente das suas responsabilidades. Há, efectivamente, muita falta de respeito na noite do Centro Histórico: há bares que abusam do ‘som ambiente’; há frequentadores que abusam das cordas vocais e outras fontes de ruído. Exige-se mais respeito pelos moradores. Mas há outros ‘actores’ a respeitar. Desde logo os frequentadores ‘normais’: aqueles que não falam alto, que não gritam, que não pontapeiam objectos… que apenas querem beber um copo e dar dois dedos de conversa. Depois, os empresários que investiram confiando na estabilidade das regras, em palavras como ‘reabilitação’, ‘animação’ e outras semelhantes. Ainda os trabalhadores dos bares, cujos po...

Um pouco de serenidade, por favor

Há cerca de dois meses, escrevi neste espaço sobre a anunciada reforma do Poder Local, especificamente sobre o (anunciado) novo mapa das Freguesias. Adiantei então um conjunto de dúvidas sobre a ‘bondade’ dessa reforma, quer no que respeitará a poupança de recursos financeiros (globalmente ínfimos) quer no que isso poderia significar de ‘agressão’ ao sentimento de pertença das populações (com particular incidência fora das zonas urbanas). Parecia-me, também, estar-se a menosprezar a proximidade dos órgãos autárquicos das Freguesias relativamente aos cidadãos, o que do ponto de vista da Democracia não me parece muito aconselhável. Será inquestionável a necessidade de repensar o mapa autárquico e as funções de cada um dos seus órgãos, processo para que devemos partir sem preconceitos nem dogmatismo. Necessariamente, haverá que defrontar resistências e bairrismos de vários matizes, mas haverá que olhar para a realidade e encontrar uma solução que melhore a situação actual e, sobretudo, ...