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Portugal no seu pior

Portugal é um país de ‘gajos porreiros’… depois de mortos. Portugal é um país de gente boa, toda muito amiga uma da outra… enquanto há uns pós de poder no casaco de cada uma. Portugal é um país de descobridores: gente que, de um momento para o outro e mal se suspeite que os pós de poder podem voar de um qualquer casaco, descobre coisas inauditas sobre a personagem em questão. Nesse momento, e até à ‘vida eterna’, essa pessoa passa a ter todos os defeitos do mundo, desde a corrupção ao despesismo, do gostar de copos até ao mau feitio… É o que se vem verificando a propósito das eleições regionais na Madeira. Alberto João jardim é o mesmo há mais de três décadas: truculento, desbocado, excessivo, amigo dos copos e dos charutos (até ao susto recente…), insultuoso por vezes. Há mais de 30 anos que a vida política da Madeira é igual: a preto-e-branco, amigos de um lado inimigos do outro. Não há meios termos, não há moderação, haverá tolerância zero, favorecimentos, benefícios diversos. ...

Para onde foram os votos de Soares?

Cavaco Silva (baixemos os olhos, compungidos) perdeu meio milhão de votos. Manuel Alegre (olhemos de frente, semi-ufanos) baixou a sua votação em apenas 200 mil. Será assim? Não! Claramente não! Ali em cima mora apenas 50 por cento de verdade: Cavaco foi reeleito com menos 543327 votos. Manuel Alegre recolheu, há cinco anos, 1126855 votos. Era, então, ‘o’ candidato anti-sistema, blá, blá, blá… E ontem? Ontem o mesmo Manuel Alegre apresentou-se nas urnas como candidato do PS, do BE e do PCTP-MRPP. Ou seja, juntou à sua ‘qualidade’ de independente anti-sistema, a ‘qualidade’ de candidato de quase toda a esquerda. Somemos, então, os votos para poder comparar o que é comparável: somemos aos seus 1126855 votos, os 780905 de Mário Soares (candidato oficial do PS em 2006), os 288625 de Francisco Louçã (do BE) e os 23707 de Garcia Pereira (do PCTP-MRPP). Ou seja, 2220092 votos. Sendo que ontem houve 832021 votos em Manuel Alegre, teremos que concluir por uma perda de 1388071 eleitores...

Aprender com os outros - uma crise

O ano de 1929 chegou quase ao final de seu terceiro trimestre com a promessa e a aparência de uma prosperidade crescente, sobretudo nos EUA. Um optimismo extraordinário sustentou uma orgia de especulação. Escreveram-se livros para provar que a crise económica era uma fase que fora finalmente dominada pela organização empresarial em expansão e pela ciência "Parece que acabamos de uma vez por todas com os ciclos económicos, tal como os conhecíamos," disse o presidente da Bolsa de Valores de Nova Iorque em Setembro. Mas, em Outubro, uma súbita e violenta tempestade varreu Wall Street. A intervenção dos mais poderosos instrumentos não conseguiu deter a maré das vendas em pânico Um grupo de grandes bancos formou um pool de um bilião de dólares para manter e estabilizar o mercado. Foi tudo em vão. Toda a riqueza tão velozmente acumulada nas carteiras de títulos dos anos anteriores desfez-se em fumaça. A prosperidade de milhões de lares americanos havia crescido sobre uma estrutura...

Como?

“O ministro das Finanças admitiu hoje (dia 2 de Junho de 2010) a retroactividade do aumento do imposto, afirmando que “o futuro do país” e o estado de crise o justificam. Foi no debate, no Parlamento, sobre o plano de austeridade, incluindo o aumento de impostos, acordado entre o Governo e o PSD de Pedro Passos Coelho. “É por estar em causa a economia, o emprego e o futuro de todos nós que temos que avançar com estas medidas e este é um valor que se sobrepõe ao princípio da retroatividade que é um princípio protegido na Constituição mas não é um princípio absoluto que se sobreponha ao bem público e ao carácter imprescindível e de emergência”, disse Teixeira dos Santos, em resposta a uma pergunta da deputada do CDS Assunção Cristas. O governante afirmou que a proposta do CDS de impedir os efeitos retroactivos dos aumentos seria impraticável.” (do ‘Público’ on-line) Ausente uns dias deste ‘paraíso’, só hoje me apercebi da enormidade acima transcrita. Pelos vistos, o Ministro das Fi...

E se fossem àquela parte?

Lê-se hoje na Comunicação Social que o Governo, apesar da ausência de acordo dos ‘parceiros sociais’, vai impor novas regras às prestações sociais concedidas aos desempregados. Lê-se igualmente que com estas medidas vão gastar menos 40 milhões de euros. Lê-se ainda que o principal objectivo é incentivar um mais rápido regresso ao trabalho. Leio e custa-me a acreditar… Começando pelo fim, como pretende o Governo acelerar o regresso ao trabalho quando o desemprego continua a aumentar? Como é possível que a primeira medida efectiva de ‘austeridade’ tenho como alvo quem está mais vulnerável? É com 40 milhões de euros que se vão endireitar as finanças? Quando todos os dias ouvimos falar de milhares de milhões, é com isto que vamos recuperar? E ‘isto’ é um governo socialista? É certo e sabido que vivemos uma crise muito complicada, que vamos atravessar tempos dificílimos, que todos precisamos de mudar hábitos e aprender a viver com menos. De acordo! Mas todos é mesmo TODOS! Empresas ...

Carta a uns #%#§&$£€ que não conheço

Teve hoje destaque em praticamente toda a comunicação social um conjunto de ‘ideias’ dadas à luz pelos ‘patrões dos patrões’. Querem os senhores (Confederações da Indústria e do Turismo) ‘moralizar’ o subsídio de desemprego… E então, propõem o seguinte (entre outras medidas): - Ninguém pode ter um subsídio maior que o salário (creio que por lei, é igual a 65 por cento deste); - O montante do subsídio deve diminuir ao longo do período de desemprego; - O subsídio só deve ser concedido a quem não tenha outras fontes de subsistência; - Obrigatoriedade de prestar ‘serviço social’ (seja lá o que isso for e mesmo que à custa de postos de trabalho existentes). Não se pode dizer que tenha ficado admirado. Em boa verdade nem esperava outra coisa… Basta reparar, com alguma atenção, para a vida que aqueles ‘desgraçados’ levam, os carros que têm sido obrigados a vender (no primeiro trimestre deste ano, e comparando com o do ano passado, a Maserati viu as suas vendas crescer 200 por cento...

Isto sim, é pornográfico

Os seis doentes do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que a 17 de Julho último cegaram após troca de medicamentos, vão receber uma indemnização total de 597 mil euros. Convido os meus visitantes a fazerem um pequeno exercício... Experimentem viver meia hora com os olhos vendados. Viver significa (tentar) fazer o que fariam normalmente àquela hora... É impossível não é? Eu, que tenho uma enorme miopia num dos olhos e procuro defender ao máximo o outro olho, começo por ficar indignado com a 'normalidade' com que se tratou (e trata) aquele caso. Como é possível? Como foi possível tanta incompetência, tanta negligência, tanta indiferença? E como é possível que se estejam a discutir indemnizações, ainda por cima em 'bolo único', e nada se saiba sobre o paradeiro actual do(s) agente(s) do crime? Sim, porque foi um crime! Um crime vezes seis! Será que continuam (ou vão voltar) a exercer? Penso que ao Estado (que somos todos nós) só cabia uma coisa: pagar (e pagar BEM )...

Eu não diria melhor...

5. Deixaram de existir “alegados”. Há uns anos atrás não havia vítima de pedofilia, pedófilo e caso de pedofilia que não fosse alegado. A alegada vítima tinha alegadamente sido violada pelo alegado pedófilo. Os alegados desapareceram e passamos a viver no mundo das certezas cristalinas. Obrigado a João Miranda (do Blasfémias )

País de caca

Esta notícia fez-me lembrar uma anedota velha, velha, que se contava entre amigos, aqui há muitos anos. Num café de uma cidade de província, um homem sozinho a uma mesa, falava mais ou menos entre-dentes: "País de merda... País de merda... País de merda". De uma mesa próxima, levantou-se um indivíduo e deu-lhe voz de prisão. "Preso, eu? Porquê?" "Preso porque está a dizer mal de Portugal!' "Eu?... A dizer mal de Portugal? Como pode dizer isso? Eu só disse país..., como pode dizer que eu falei de Portugal?" O indivíduo hesitou, mas acabou por voltar à sua mesa, aparentemente convencido. E o homem continuou a lenga-lenga: "País de merda... País de merda..." O indivíduo aguentou aquilo um bocado mas, subita e resolutamente, levantou-se e deu mesmo voz de prisão ao homem: "O senhor está preso, porque o único país de merda que eu conheço é o nosso!"

Avé César, nós que vamos morrer...

Duas notícias separadas por quatro dias trouxeram-me à memória a frase atribuída aos gladiadores dos circos romanos. E quais são essa notícias? 1. "Portugueses são muito tolerantes com a corrupção" (no Público de dia 5). Segundo (mais um) especialista, "cerca de 63 por cento dos portugueses toleram a corrupção desde que produza efeitos benéficos para a população em geral"... 2. "Governo esmaga classe média" (no Correio da Manhã de dia 9). Em causa as medidas anunciadas no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento e que, depois de um zapping pela generalidade dos títulos da Comunicação Social, permite concluir que vêm aí mais tempos dificílimos para os sacrificados do costume. E que tem uma notícia a ver com a outra? Tem que em Setembro passado (seis meses, portanto) houve eleições legislativas. E tem que, já nessa época, se levantavam vozes suficientes alertando para o que aí viria. E tem que, já nessa época, havia suficientes indícios de co...