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Sobre o respeito (ou a falta dele)

A Câmara de Leiria quer alterar o horário de funcionamento dos bares do Centro Histórico: os estabelecimentos encerrarão à meia-noite, excepto ao fim-de-semana e vésperas de feriados. Custa-me acreditar numa coisa destas. Custa-me verificar ao que chegou a falta de civismo e de respeito. Custa-me crer que as autoridades se demitam tão facilmente das suas responsabilidades. Há, efectivamente, muita falta de respeito na noite do Centro Histórico: há bares que abusam do ‘som ambiente’; há frequentadores que abusam das cordas vocais e outras fontes de ruído. Exige-se mais respeito pelos moradores. Mas há outros ‘actores’ a respeitar. Desde logo os frequentadores ‘normais’: aqueles que não falam alto, que não gritam, que não pontapeiam objectos… que apenas querem beber um copo e dar dois dedos de conversa. Depois, os empresários que investiram confiando na estabilidade das regras, em palavras como ‘reabilitação’, ‘animação’ e outras semelhantes. Ainda os trabalhadores dos bares, cujos po...

Um pouco de serenidade, por favor

Há cerca de dois meses, escrevi neste espaço sobre a anunciada reforma do Poder Local, especificamente sobre o (anunciado) novo mapa das Freguesias. Adiantei então um conjunto de dúvidas sobre a ‘bondade’ dessa reforma, quer no que respeitará a poupança de recursos financeiros (globalmente ínfimos) quer no que isso poderia significar de ‘agressão’ ao sentimento de pertença das populações (com particular incidência fora das zonas urbanas). Parecia-me, também, estar-se a menosprezar a proximidade dos órgãos autárquicos das Freguesias relativamente aos cidadãos, o que do ponto de vista da Democracia não me parece muito aconselhável. Será inquestionável a necessidade de repensar o mapa autárquico e as funções de cada um dos seus órgãos, processo para que devemos partir sem preconceitos nem dogmatismo. Necessariamente, haverá que defrontar resistências e bairrismos de vários matizes, mas haverá que olhar para a realidade e encontrar uma solução que melhore a situação actual e, sobretudo, ...

Apita o comboio

Noticia o ‘Público’ que terá sido adiado o encerramento do transporte de passageiros em parte da Linha do Oeste, previsto para o início de 2012. Escreve o jornal (na terça-feira) que na origem desta alteração está a necessidade de realizar um concurso público para assegurar o transporte rodoviário dos passageiros afectados. E uma meia boa notícia. É boa, porque adia a sentença de morte. É só meia, porque não há qualquer garantia de reversão do essencial: o fim do transporte de passageiros no sector a Norte de Caldas da Rainha. Entretanto, constituíra-se um movimento cívico em defesa da Linha do Oeste e a Câmara Municipal de Caldas da Rainha anunciara a realização de um ‘estudo de sustentabilidade’. É pois tempo de trabalho em contra-relógio. Tempo de sublinhar o aumento de utilização da linha durante o ano de 2010 (ignoro números relativos ao ano corrente). Tempo de demonstrar que, mesmo sem qualquer investimento, bastará melhorar a oferta horária da Linha do Oeste para que a su...

Uma questão de confiança

Num caso de emergência médica, as ambulâncias não podem transportar qualquer acompanhante da(s) vítima(s). Assim à primeira vista, nem parece nada esquisito: que vai uma pessoa sem conhecimentos específicos fazer dentro da ambulância, a caminho de uma unidade de saúde? Aparentemente nada. Há dias, uma pessoa conhecida necessitou de assistência hospitalar na sequência de uma pancada recebida na cabeça. Foi conduzida ao Hospital de Leiria, de onde, por precaução, foi encaminhada para uma unidade hospitalar de Coimbra. Sem acompanhamento familiar, pelo acima explicado e porque seria desnecessário. Poupo nos pormenores para chegar ao que interessa. No dia seguinte, esta pessoa teve que ser procurada pelas autoridades policiais, porque o hospital lhe perdera o rasto. Este episódio, aparentemente sem consequências ‘laterais’, fez acordar histórias passadas, em vários outros hospitais públicos, de bebés raptados e doentes que se ausentaram em condições idênticas às do caso que relatei. E ...

Brincar com coisas sérias

Voltou a aquecer a já antiga disputa em torno da possibilidade de troca de medicamentos previamente receitados. Em causa está a (próxima) prescrição por substância activa e não por nome comercial. Alega a Ordem dos Médicos que isso é perigoso, pois os medicamentos não são todos iguais nem oferecem a mesma garantia e promete, mesmo, que os médicos vão distribuir um folheto de alerta aos seus doentes. Ripostam os farmacêuticos que não pode ser colocada em causa a qualidade dos remédios, pois essa apreciação compete ao Infarmed (e, portanto, se estão à venda é porque cumprem os padrões exigidos). No meio, como sempre…, os ‘consumidores’ interrogam-se. Se os genéricos são mais baratos e se, para mais, há uns genéricos mais baratos que outros, por que não podem poupar algum dinheiro? Em quem devem confiar? Nos seus médicos? Nos seus farmacêuticos? A resposta mais natural, digamos, seria confiar nos médicos. Afinal de contas, as farmácias têm interesse económico na venda de medicamentos...

Ensaio sobre o futuro

Tenho muitas dúvidas sobre a anunciada reforma da organização do Poder Local, especialmente no que respeita ao redesenho das Freguesias. Sucintamente, porque as economias de gastos são mínimas e podiam conseguir-se de outro modo, porque se está a mexer em sentimentos de pertença muito fortes (especialmente fora das zonas urbanas) e porque as Juntas de Freguesia são a sede de poder mais próximo dos cidadãos (mesmo que esse poder seja [quase] ínfimo). Todavia, e porque o que tem que ser tem muita força, gastei algum tempo a olhar para o mapa do Concelho de Leiria, visto à luz do que não poderá ser: 20, em 29, Freguesias terão os dias contados. A anunciada reforma assenta em critérios predominantemente numéricos, medidos em quilómetros e em habitantes. O que me parece pouco, embora sejam provavelmente os critérios mais objectivos que se poderiam encontrar. Isto dito, e sublinhando que o ponto de partida é a inevitabilidade da reforma, penso que se poderia aproveitar a oportunidade par...

Portugal no seu pior

Portugal é um país de ‘gajos porreiros’… depois de mortos. Portugal é um país de gente boa, toda muito amiga uma da outra… enquanto há uns pós de poder no casaco de cada uma. Portugal é um país de descobridores: gente que, de um momento para o outro e mal se suspeite que os pós de poder podem voar de um qualquer casaco, descobre coisas inauditas sobre a personagem em questão. Nesse momento, e até à ‘vida eterna’, essa pessoa passa a ter todos os defeitos do mundo, desde a corrupção ao despesismo, do gostar de copos até ao mau feitio… É o que se vem verificando a propósito das eleições regionais na Madeira. Alberto João jardim é o mesmo há mais de três décadas: truculento, desbocado, excessivo, amigo dos copos e dos charutos (até ao susto recente…), insultuoso por vezes. Há mais de 30 anos que a vida política da Madeira é igual: a preto-e-branco, amigos de um lado inimigos do outro. Não há meios termos, não há moderação, haverá tolerância zero, favorecimentos, benefícios diversos. ...