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Apita o comboio

Noticia o ‘Público’ que terá sido adiado o encerramento do transporte de passageiros em parte da Linha do Oeste, previsto para o início de 2012. Escreve o jornal (na terça-feira) que na origem desta alteração está a necessidade de realizar um concurso público para assegurar o transporte rodoviário dos passageiros afectados. E uma meia boa notícia. É boa, porque adia a sentença de morte. É só meia, porque não há qualquer garantia de reversão do essencial: o fim do transporte de passageiros no sector a Norte de Caldas da Rainha. Entretanto, constituíra-se um movimento cívico em defesa da Linha do Oeste e a Câmara Municipal de Caldas da Rainha anunciara a realização de um ‘estudo de sustentabilidade’. É pois tempo de trabalho em contra-relógio. Tempo de sublinhar o aumento de utilização da linha durante o ano de 2010 (ignoro números relativos ao ano corrente). Tempo de demonstrar que, mesmo sem qualquer investimento, bastará melhorar a oferta horária da Linha do Oeste para que a su...

Uma questão de confiança

Num caso de emergência médica, as ambulâncias não podem transportar qualquer acompanhante da(s) vítima(s). Assim à primeira vista, nem parece nada esquisito: que vai uma pessoa sem conhecimentos específicos fazer dentro da ambulância, a caminho de uma unidade de saúde? Aparentemente nada. Há dias, uma pessoa conhecida necessitou de assistência hospitalar na sequência de uma pancada recebida na cabeça. Foi conduzida ao Hospital de Leiria, de onde, por precaução, foi encaminhada para uma unidade hospitalar de Coimbra. Sem acompanhamento familiar, pelo acima explicado e porque seria desnecessário. Poupo nos pormenores para chegar ao que interessa. No dia seguinte, esta pessoa teve que ser procurada pelas autoridades policiais, porque o hospital lhe perdera o rasto. Este episódio, aparentemente sem consequências ‘laterais’, fez acordar histórias passadas, em vários outros hospitais públicos, de bebés raptados e doentes que se ausentaram em condições idênticas às do caso que relatei. E ...

Brincar com coisas sérias

Voltou a aquecer a já antiga disputa em torno da possibilidade de troca de medicamentos previamente receitados. Em causa está a (próxima) prescrição por substância activa e não por nome comercial. Alega a Ordem dos Médicos que isso é perigoso, pois os medicamentos não são todos iguais nem oferecem a mesma garantia e promete, mesmo, que os médicos vão distribuir um folheto de alerta aos seus doentes. Ripostam os farmacêuticos que não pode ser colocada em causa a qualidade dos remédios, pois essa apreciação compete ao Infarmed (e, portanto, se estão à venda é porque cumprem os padrões exigidos). No meio, como sempre…, os ‘consumidores’ interrogam-se. Se os genéricos são mais baratos e se, para mais, há uns genéricos mais baratos que outros, por que não podem poupar algum dinheiro? Em quem devem confiar? Nos seus médicos? Nos seus farmacêuticos? A resposta mais natural, digamos, seria confiar nos médicos. Afinal de contas, as farmácias têm interesse económico na venda de medicamentos...

Ensaio sobre o futuro

Tenho muitas dúvidas sobre a anunciada reforma da organização do Poder Local, especialmente no que respeita ao redesenho das Freguesias. Sucintamente, porque as economias de gastos são mínimas e podiam conseguir-se de outro modo, porque se está a mexer em sentimentos de pertença muito fortes (especialmente fora das zonas urbanas) e porque as Juntas de Freguesia são a sede de poder mais próximo dos cidadãos (mesmo que esse poder seja [quase] ínfimo). Todavia, e porque o que tem que ser tem muita força, gastei algum tempo a olhar para o mapa do Concelho de Leiria, visto à luz do que não poderá ser: 20, em 29, Freguesias terão os dias contados. A anunciada reforma assenta em critérios predominantemente numéricos, medidos em quilómetros e em habitantes. O que me parece pouco, embora sejam provavelmente os critérios mais objectivos que se poderiam encontrar. Isto dito, e sublinhando que o ponto de partida é a inevitabilidade da reforma, penso que se poderia aproveitar a oportunidade par...

Portugal no seu pior

Portugal é um país de ‘gajos porreiros’… depois de mortos. Portugal é um país de gente boa, toda muito amiga uma da outra… enquanto há uns pós de poder no casaco de cada uma. Portugal é um país de descobridores: gente que, de um momento para o outro e mal se suspeite que os pós de poder podem voar de um qualquer casaco, descobre coisas inauditas sobre a personagem em questão. Nesse momento, e até à ‘vida eterna’, essa pessoa passa a ter todos os defeitos do mundo, desde a corrupção ao despesismo, do gostar de copos até ao mau feitio… É o que se vem verificando a propósito das eleições regionais na Madeira. Alberto João jardim é o mesmo há mais de três décadas: truculento, desbocado, excessivo, amigo dos copos e dos charutos (até ao susto recente…), insultuoso por vezes. Há mais de 30 anos que a vida política da Madeira é igual: a preto-e-branco, amigos de um lado inimigos do outro. Não há meios termos, não há moderação, haverá tolerância zero, favorecimentos, benefícios diversos. ...

Os comboios (de novo)

O ministro da Economia anunciou esta semana a solução do Governo para o projecto de alta velocidade ferroviária que, intermitentemente, vem ocupando o espaço mediático desde há nem sei bem quantos anos. Depois do ‘tê deitado’, depois do ‘pi deitado’ e de algumas outras ‘soluções’, o “TGV” irá ser substituído por duas linhas de ‘velocidade elevada’ que permitam a ligação dos portos atlânticos de Aveiro e Sines a Espanha (e à Europa). Se percebi, linhas mistas de passageiros e mercadorias que permitem aproveitar os previstos fundos comunitários e ficarão mais baratas que a ‘alta velocidade’. Também se percebi, faltará o acordo espanhol, coisa que talvez não seja assim tão simples de obter. E faltará, ainda, saber se temos capacidade para assegurar a componente nacional do financiamento e se, mesmo com estas alterações, o projecto será economicamente viável. Ligar portos portugueses ao interior espanhol é, à partida, uma boa ideia, especialmente porque os portos galegos estão mais longe...

Algo de novo a Oeste?

Dizem alguns teóricos destas coisas da Comunicação que não se devem utilizar títulos interrogativos… Mas diz o povo que as regras existem para ser quebradas. E vem este título interrogativo a propósito do tema de abertura da secção Mercado da anterior edição do ‘Região de Leiria’. Dá-nos conta o Cláudio Garcia que a CP defende a modernização da Linha do Oeste, designadamente através da respectiva electrificação e – que fartura! – da “quadruplicação” de um dos seus troços. Se o jornalista Cláudio Garcia escreveu e o ‘Região de Leiria’ publicou é porque é verdade. A CP defende mesmo a modernização da Linha do Oeste! A minha costela céptica manda-me desconfiar. Agora? Em tempo de vacas magríssimas? Tantos anos depois da generalidade das forças vivas da região defenderem o mesmo (alguém se lembra, ainda, de Henrique Neto enquanto candidato a deputado)? Recorrendo ao mesmo povo… quando a esmola é grande, o pobre desconfia. Mas também tenho uma costela optimista. E ela manda-me acender u...