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Uma vergonha

Centenas (milhares, o que for) de eleitores foram impedidos de votar no passado domingo. O facto, só por si, já é suficientemente grave para passar sem consequências (sérias). Estamos perante uma situação inédita na história da nossa Democracia: cidadãos eleitores impedidos de o ser por uma qualquer deficiência mecânica (digamos assim). Devo confessar que durante o apuramento dos resultados não me apercebi da dimensão do problema; e por isso não o valorizei devidamente. Já tarde na noite, e principalmente na manhã de segunda-feira, é que me inteirei da dimensão do que sucedera. Como é possível que, numa sociedade tão ‘tecnológica’, tão avançada, uma coisa simples, como saber o número de eleitor, se tenha revelado tão complicada, e mesmo impossível? Como aceitar passiva e acriticamente que centenas (ou milhares, ou o que for) de eleitores tenham desistido de votar, desesperados e exasperados, pela completa ineficiência da máquina do Estado? Como entender que os responsáveis resumam...

Para onde foram os votos de Soares?

Cavaco Silva (baixemos os olhos, compungidos) perdeu meio milhão de votos. Manuel Alegre (olhemos de frente, semi-ufanos) baixou a sua votação em apenas 200 mil. Será assim? Não! Claramente não! Ali em cima mora apenas 50 por cento de verdade: Cavaco foi reeleito com menos 543327 votos. Manuel Alegre recolheu, há cinco anos, 1126855 votos. Era, então, ‘o’ candidato anti-sistema, blá, blá, blá… E ontem? Ontem o mesmo Manuel Alegre apresentou-se nas urnas como candidato do PS, do BE e do PCTP-MRPP. Ou seja, juntou à sua ‘qualidade’ de independente anti-sistema, a ‘qualidade’ de candidato de quase toda a esquerda. Somemos, então, os votos para poder comparar o que é comparável: somemos aos seus 1126855 votos, os 780905 de Mário Soares (candidato oficial do PS em 2006), os 288625 de Francisco Louçã (do BE) e os 23707 de Garcia Pereira (do PCTP-MRPP). Ou seja, 2220092 votos. Sendo que ontem houve 832021 votos em Manuel Alegre, teremos que concluir por uma perda de 1388071 eleitores...

Sigamos a bola

Sim, eu sei! É futebol, e futebol não é coisa recomendável. Eu sei, mas o melhor do mundo é Português e até partilhou a distinção em Português. Além disso, no mar de desgraça que inunda o panorama noticioso, um galho a que nos agarremos só faz bem. Mais ainda, o título de ‘melhor treinador do mundo’ (seja lá isso o que for) resultou, ao que ouvi, de votação efectuada pelos pares (e concorrentes) de José Mourinho (claro que é dele que se trata). Não resulta de uma ‘pesquisa de opinião’, da mobilização dos amigos, muito menos da participação em qualquer ‘concurso’ televisivo. Goste-se ou não se goste da personagem (eu confesso que não gosto), uma coisa é verdade: é um dos poucos portugueses que conheço que definiu os seus objectivos, se preparou para eles e trabalhou para os alcançar. E isto não é pouco. Em Portugal, aliás, é imenso! Claro que não inventou a roda, não conseguiu a quadratura do círculo nem descobriu o elixir da vida eterna… É bom no futebol, e o futebol é só chutos n...

Será em 2011?

A comunicação social (regional e nacional) tem vindo sistematicamente a alertar quem de direito para os problemas que a bacia do Rio Lis enfrenta. Uma breve consulta aos arquivos (e apenas aos dos anos 80) revela uma alternância “acidente/promessa de resolução” que dá a medida das preocupações reais que o Ambiente provoca aos responsáveis pelas entidades envolvidas e do ‘medo’ que os agressores sentem. (Região de Leiria, 13 de Janeiro de 1989) Há 30 anos que, fruto da explosão das suiniculturas (a maioria delas instaladas durante a década de 70 do século passado), vivemos uma constante alternância problema / promessa / adiamento. Nesse tempo, conceitos como planeamento e ordenamento do território e defesa do Ambiente eram completa abstracção ou, quando muito, preocupação de uns quantos ‘lunáticos’. E mesmo que a realidade de hoje não seja tão má como no período dos anos 80 e 90 do século XX, a poluição causada pela exploração pecuária intensiva constitui o principal problema da ba...

Ai Timor…

Timor-Leste foi um dos 17 países com representação diplomática em Oslo ausentes da cerimónia de ‘entrega’ do Prémio Nobel da Paz ao democrata chinês Liu Xiaobo. Esta ausência, canhestramente justificada pelo seu Presidente, José Ramos Horta, significa implicitamente o alinhamento de Timor-Leste com a República Popular da China. José Ramos Horta, é bom lembrar, partilhou com o Bispo Ximenes Belo o mesmo Prémio, no já longínquo (ao que parece) ano de 1996. José Ramos Horta, é também bom lembrar, foi durante décadas o porta-voz da resistência timorense ao invasor indonésio e, enquanto tal, objecto de especial admiração por parte de milhares (milhões?) de Portugueses. Timor-Leste terá sido uma das causas que mais uniu os Portugueses nos últimos tempos. Ainda recordo as mais diversas jornadas de solidariedade que se seguiram ao conhecimento do massacre do cemitério de Santa Cruz (no ainda mais longínquo dia 12 de Novembro de 1991) e de tudo quanto aconteceu até à independência. A Repúbl...

Boas Festas

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Três mil duzentos sessenta e cinco. Este é o número da nossa solidariedade, expressa no apoio aos necessitados apoiados pelos Bancos Alimentares contra a Fome. Pode parecer pouco quantificar assim a nossa solidariedade. Mas se acrescentarmos àquele número a palavra toneladas, se dissermos que é 30 por cento superior ao conseguido no ano passado (ou seja, mais 775 mil quilos), se sublinharmos que estão em causa bens alimentares de primeira necessidade e se lembrarmos que já em 2009 haviam sido batidos todos os recordes, temos uma noção mais clara do quão somos solidários. Ah! Falta um número: 30000. Trinta mil voluntários disponibilizaram-se, em dois dias, para tornar a recolha possível. Entre as sombras que marcam o futuro que se antevê negro e difícil, a campanha dos Bancos Alimentares contra a Fome (como outras que pontualmente se realizam anualmente com os mesmos objectivos) revela muito mais sobre Portugal enquanto povo do que a generalidade das notícias do dia-a-dia. Desfeitas...